4 de março de 2016

Nada Surf lança o novo You Know Who You Are, seu sétimo álbum de carreira, que sai no Brasil pelo selo Inker

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Com cinco álbuns gravados em dez anos e extensas turnês para cada um deles, o Nada Surf – formado por Matthew Caws (vocal/guitarra), Daniel Lorca (baixo), Ira Elliot (bateria) e Doug Gillard (guitarrista e mais recente membro oficial) – optou por um breve e merecido hiato após a turnê do do disco The Stars Are Indifferent to Astronomy, lançado em 2012.

Em Janeiro de 2015, quando o vocalista anunciou pelo Facebook que um novo álbum estava praticamente finalizado, os fãs comemoraram freneticamente. As músicas estavam prontas, de acordo com o anúncio, e tudo o que faltava para terminar o registro eram algumas letras e a gravação dos vocais, que Caws planejava fazer durante os seus dias de folga.

“Eu estava tão ansioso por fazer um novo álbum, que eu já sabia como ele seria”, lembra o músico. “Mas a melhor coisa sobre acabar algo é que você pode tomar um fôlego e avaliar, já que a pressão para ‘fazer’ se foi. Quanto mais eu ouvia e pensava no disco, mais eu percebia que eu poderia continuar trabalhando nele. Além disso, eu tinha enviado as faixas para o Josh, meu amigo que dirige a Barsuk Records, selo com o qual trabalhamos desde 2002, e ele disse ‘É ótimo’, seguido de uma pausa. Entendi a mensagem. Não tomei isso como uma crítica, mas sim como uma dica de que eu poderia fazer melhor. Foi muito libertador”, Caws continua. “Já havia um monte de músicas prontas que todos nós gostávamos, então eu tinha que pensar mais a fundo sobre o que o álbum poderia ser.”

O instinto de Matthew, que o mandava dar ouvidos à sua “voz editorial interior”, se provou acertado: ele tirou algumas músicas, mexeu em outras e escreveu mais algumas, que “são definitivamente diferentes de tudo o que fizemos antes”, diz ele. “Believe You’re Mine” foi rearranjada e acelerada, enquanto “Cold To See Clear” – originalmente escrita para uma colaboração com Michael Lerner, do Telekinesis – ganhou um ajuste melhor.

Pouco antes de começar You Know Who You Are, Caws voou para Los Angeles para escrever com Dan Wilson, que – além de seu sucesso com Semisonic – ganhou dois Grammys pelas músicas em parceria com Adele e Dixie Chicks. O plano não era escrever para um projeto em particular, mas ver o que acontecia. Do encontro nasceram “Rushing” e “Victory’s Yours”, que, com a aprovação de Wilson, entraram na tracklist do novo álbum. Quando a banda voltou para Hoboken para outra rodada de sessões com o produtor e guitarrista Tom Beaujour (Jennifer O’Connor, Amy Bezunartea), as músicas foram finalizadas.

E eis que, o que teria sido mais um ótimo álbum do Nada Surf (o sétimo, desde que assinaram com uma grande gravadora nos anos 90 e emplacaram o hit “Popular”) tornou-se talvez o mais representativo da carreira de duas décadas do grupo e, ao mesmo tempo, um ótimo empurrão para o que vier a seguir. O grupo, que sempre teve uma incrível potência e surpreendente confiança ao vivo, vem ganhando, a cada lançamento, a disciplina e finesse necessárias para se reinventar. Em cada uma das 10 faixas do álbum, estão capturadas todas as amadas facetas da banda, mas You Know Who You Are também oferece algo além de tudo o que o grupo já lançou. “Animal” é uma canção de amor existencial, enquanto “Gold Sounds” consegue equilibrar-se perfeitamente entre Krautrock e folk-rock.

A última faixa nasceu em uma fila do South By Southwest, enquanto Caws trocava ideia com um dos frequentadores do festival, que era, na verdade, o gerente geral da rádio independente KDHX de St. Louis. Matthew estava acompanhado de Louie Lino, que tocava teclado e ocasionalmente mixava algumas músicas para o grupo. “Talvez devêssemos fazer um Jingle pra você”, ele sugeriu. A resposta foi rápida: “Se vocês fizerem, vamos tocá-lo pra caralho”.

Incapaz de resistir ao desafio, a dupla criou uma canção-tema clássica para o “Gold Soundz”, um programa semanal da KDHX dirigido por Chris Bay. A música entrou para os ensaios e o jingle de 30 segundos virou uma faixa, em grande parte, graças às batidas hipnóticas do Elliot e a mágica do Gillard. “Eu ainda não entendo como ele fez isso”, diz Caws. “É como se fossem flautas tocadas por unicórnios”. “Gold Sounds” é o lembrete ideal de que Matthew pode até ser o frontman, mas o Nada Surf é – e sempre foi – uma banda.

“Eu posso até escrever as músicas,” Caws diz, “mas nós as montamos em conjunto.”

Muitos elementos dessa nova diversidade sonora vieram graças à presença cada vez mais frequente de Gillard (ex-Guided By Voices), em turnê com o Nada Surf desde 2010, mas recentemente transformado no quarto membro oficial. Desta vez, envolvido desde os primeiros momentos, Doug acrescentou peso, brilho e complexidade às já ricas melodias de Caws.

Após algum tempo sem escrever, Caws voltou mais disposto do que nunca para seguir, aonde quer que seu instinto o leve. Nada Surf está perseguindo os seus próprios mundos e uma maior ligação com os fãs. “Às vezes parece que, para o nosso público, pelo menos, somos duas ou três bandas diferentes de uma só vez”, conclui. “Enquanto uns estão à procura de canções de amor, outros querem apenas dançar.”

Inker + Nada Surf

A Inker trabalha com o Nada Surf desde 2004, quando lançou o terceiro álbum de carreira da banda (Let Go) no Brasil e a trouxe para a América do Sul pela primeira vez. Em 2012, lançou a versão nacional de The Stars Are Indifferent to Astronomy e foi responsável pela segunda turnê do grupo por aqui, que passou por oito cidades brasileiras, além de Buenos Aires (AR).

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