5 de julho de 2016

Xangai lança novo álbum

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A voz do sertão invade todo Brasil. Com 40 anos de discografia, o conceituado violeiro Xangai – eleito o Melhor Cantor Regional na 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira – lança o 17º álbum da sua trajetória. Distribuído pela gravadora Kuarup, o trabalho homônimo já está disponível em todas as plataformas digitais.

Gravado na varanda de uma fazenda às beiras do lago formado pela represa Pedra do Cavalo (BA), o disco tem a sua sonoridade moldada apenas pelo canto e violão de Xangai. A ideia do formato veio do produtor musical Mário Ulloa, mestre costa-riquenho de violão: “Mário me encorajou a fazer um disco-solo, voz e violão, porquanto ao longo de minha trajetória, todas as gravações que fiz, tive sempre músicos tocando comigo”, conta Xangai. O resultado desse processo são 14 canções escolhidas durante os quatro dias de gravação. “Ficamos apreciando o ruflar dos ventos nas asas do gereba (urubu de cabeça vermelha), o inspirador dos pilotos comandantes das aeronaves, e degustando iguarias de carne de cabra de coimque”, relembra.

Porta-voz da população sertaneja do interior do Nordeste brasileiro e um dos principais intérpretes de Elomar (também importante nome do cancioneiro nordestino), Xangai está em destaque na novela Velho Chico, da Rede Globo, interpretando seu próprio papel de cantador. Ao longo de 2016, nove discos da vasta discografia de Xangai serão relançados pela gravadoraKuarup, entre eles Xangai Canta Elomar,  Brasileirança – Com Quinteto da Paraíba e  Nós é Jeca Mais é Jóia – Com Juraildes da Cruz.  

 Faixa a faixa 

Em “Ino do Cangaço”, canção que abre o disco, Xangai canta à capela as histórias do cangaço e leva o ouvinte ao começo da imersão que o álbum propõe. Na sequência, a música “Forró de Caruaru” remete às histórias do cotidiano das festas típicas de Caruaru.

Bolero de Isabel” e “Eu”, terceira e oitava faixas, buscam o encontro com amigos em noites frias, nas quais o grupo se junta em volta da fogueira e a moda de viola é tocada noite afora. Já na quarta canção do disco, “Estampas Eucalol”, Xangai integra histórias da mitologia grega à realidade brasileira, falando do titã Prometeu, que, segundo a história, aborrece Zeus por roubar fogo dos deuses e dar aos mortais; entre outros mitos.

Interessante de se observar a fluidez da quinta faixa do álbum. “Água” tem na levada do violão, o movimento que o líquido faz num riacho e “Espiral do Tempo”, nona canção, tem o ritmo dos pássaros do sertão. “Pequenina”, sexta canção parece uma serenata, fala de amor e encontros. Bem como a última faixa, “Quem ama perdoa”. Em “Gago Grego”, Xangai deixa o violão de lado e faz de seu corpo um novo instrumento, entre palmas e batucadas no peito.

A partir da 10ª canção, o disco tem foco na vida e na renovação, começando por “Em Nome do Sol”, que fala sobre a importância e a grandeza do Sol. “Menino Gaiteiro”, “João e Duvê” e “Meus Tempos de Criança” cantam a inocência da criança e da brincadeira às margens dos rios. E assim, com olhos de menino e coração aberto, Xangai faz um pedido aos ouvintes: “ouça com atenção e boa vontade, que é desse jeito que eu toco, é desse jeito que eu canto”.

Informações técnicas
Produção executiva:
Gabriela Góes, Rita Cajaíba e Bruno Reis
Produção musical: Mario Ulloa
Mixagem: Beto Santana e Vavá Furquim
Masterização: Ricardo Garcia

Faixas:
1- Ino no Cangaço
2- Forró em Caruaru
3- Bolero de Isabel
4- Estampas Eucalol
5- Água
6- Pequenina
7- Gago Grego
8- Eu
9- Espiral do tempo
10- Em nome do sol
11- Menino Gaiteiro
12- João e Duvê
13- Meus tempos de criança
14- Quem ama perdoa

Sobre Xangai:

Vencedor do 27º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Cantor Regional, Xangai canta os sons de sua terra, criando uma música que se mantém longe dos modismos fonográficos, preservando a identidade da chamada “música de raiz”. Dono de uma discografia bastante significativa (17 álbuns lançados), ele carrega alguns prêmios e despontou na carreira com a gravação do disco Cantoria1 e Cantoria 2, gravados ao vivo com Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo, na década de 1990. O projeto Cantoria é considerado um clássico da música regional.

Sobre Kuarup:

A gravadora Kuarup foi fundada no Rio de Janeiro em 1977 pelo produtor Mario de Aratanha e o saudoso fagotista Airton Barbosa, do Quinteto Villa-Lobos. Hoje, é uma das principais gravadoras independentes do país. Especializada em música brasileira, possui mais de 200 títulos em seu acervo, além de ter a maior coleção de obras de Villa-Lobos em catálogo no Brasil. O repertório traz choro, música nordestina, caipira, sertaneja, MPB, samba e instrumental, entre outros gêneros. A gravadora passou a atuar na edição de músicas e no mercado editorial de livros.

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