2 de setembro de 2016

Francisco, el Hombre disponibiliza o primeiro disco cheio da carreira, SOLTASBRUXA, no YouTube

soltasbruxa

A banda francisco, el hombre acumula milhas. Foram quilômetros rodados mundo afora para mostrar o EP La Pachanga! (2015), que é imerso em referências multiculturais e em sua origem – o conjunto é formado por dois mexicanos (os irmãos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte) e três brasileiros (Andrei Kozyreff , Juliana Strassacapa e Rafael Gomes). As viagens também renderam muitas histórias para contar, como quando foram roubados na Argentina e ficaram só com a roupa do corpo (usaram instrumentos emprestados para tocar pelas ruas e conseguir dinheiro para retornar ao país). Muito da experiência adquirida por aí pode ser conferida agora no primeiro disco da banda, SOLTASBRUXA, que chega hoje ao YouTube.

Com produção assinada por Zé Nigro, o trabalho mantém a energia do quinteto, mas aponta o discurso para outro horizonte (um horizonte nem tão distante). “Exploramos a pluralidade do que somos e observamos na sociedade”, conta Sebastián Piracés-Ugarte.

Contagiado pelo recente momento político e social do Brasil, a francisco, el hombre já havia dado pistas de mudanças com o primeiro single do álbum liberado na internet. Intitulada “calor da rua”, a faixa expõe como a violência doméstica (nem sempre física) está naturalizada em nossa sociedade. Singela, “triste, louca ou má” desconstrói por meio de afirmações o “papel” e o “posto” da mulher na coletividade. “Numa banda formada por quatro homens e uma mulher, se faz necessário trazer ao nosso cotidiano discussões sobre o machismo e a violência de gênero. É a hora de tirar vendas e mordaças”, comenta Juliana, vocalista e percussionista da FEH.

“Em vez de tentar dar uma cara atemporal ao disco, decidimos encarar o agora. E política faz parte de quem somos, mas no La Pachanga! isso ficou escondido”, diz Sebastián. Não à toa, uma das canções recebeu o nome de “bolso nada”. Incisiva e espirituosa, a banda joga purpurina em cima do conservadorismo na política e no cotidiano.

As participações especiais de SOLTASBRUXA também são contemporâneas. Liniker empresta voz à “bolso nada”, enquanto o grupo Apanhador Só aparece em “tá com dólar, tá com deus”, uma sátira aos valores agregados ao dia a dia.

Cidadãos do mundo, mas com base em Campinas, a francisco, el hombre segue cantando em espanhol com sotaque brasileiro e português com sotaque latino. As pinceladas em espanhol foram dadas em “como una flor”, “primavera” e “sincero”.

Ficha técnica:
SOLTASBRUXA

Produzido por Zé Nigro e francisco, el hombre entre dez/2015 e jul/2016 no Estúdio Navegantes.
Mixagem por Gustavo Lenza e Masterização por Felipe Tichauer, exceto “calor da rua” produzida por Curumim e mixagem por Fernando Narcizo.
Participações especiais: “soltasbruxa” – Salma Jô (Carne Doce) e Rodrigo Qowasi (Chile); “bolso nada” – Liniker e os Caramelows; “tá com dolar, tá com deus” – Apanhador Só; “triste, louca ou má” – Salma Jô, Helena Macedo, Larissa Baq e Renata Éssis. Giovani Loner, Danilo Ciolfi, Anderson Menezes nos sopros.

Faixas
soltasbruxa
calor da rua
bolso nada
primavera
não vou descansar
triste, louca ou má

tá com dólar, tá com deus
como una flor
sincero
lobolobolobo!
axé e auê sem fuzuê
muro em branco

ÚLTIMAS DO BLOG

ARQUIVOS

VOLTAR PARA